Com chuvas, moradores de bairro de Mogi ficam ilhados

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População do Santos Dumont 3 reclama de abandono e falta de fiscalização contra descarte clandestino em córrego

 

Por Renan Xavier

 

Desde o último final de semana, a dona de casa Maria Helena, de 71 anos, olha para o céu com preocupação. Sua residência foi uma das inundadas pela chuva que caiu entre sábado e domingo, causando prejuízos no bairro Santos Dumont 3, no distrito de Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. “Molhou colchões, móveis, ficamos ilhados. Pagamos impostos, mas somos esquecidos”, desabafa.

Sem asfalto, praças, parques ou equipamentos culturais, o sentimento de abandono pela prefeitura mogiana predomina entre os moradores daquela região afastada do Centro. O bairro é cortado pelo Córrego do Gregório, o que torna o torna área de manancial, justificativa recorrente para a falta de infraestrutura e fator determinante para as enchentes.

“Se é área de proteção, por que permitiram construir? Por que cobram impostos?” questiona o vendedor ambulante José de Araújo, 51, que recorre aos boletos de IPTU, pago em dia, para confrontar a ausência de investimentos na região.

Um dos pontos de alagamento mais críticos do bairro fica em frente à casa de Araújo, na travessa das ruas Tailândia e Tchecoslováquia. “Se eu não tivesse um carrinho velho, não daria nem para minha filha trabalhar em dias chuvosos”, diz.

Na Tailândia, que só recebeu pavimentação até metade da via, uma série de terrenos aterrados prejudica o escoamento da água da chuva, formando poças que chegam a meio metro durante enchentes. A preocupação com doenças e acidentes entre os moradores é constante.

 

ENTULHO – Equipes de fiscalização da gestão Marcus Melo (PSDB) também não são assíduas na região. É o que dizem os moradores. Há cinco anos no local, o pedreiro Sebastião Pergentino, 54, atribui o aumento nos casos de enchente ao despejo clandestino de entulho na várzea do córrego. “Vem caminhões de todos os cantos jogar entulho na várzea do rio. Ninguém fiscaliza”, diz.

Segundo o pedreiro, é necessário nivelar a Rua Tailândia para amenizar os alagamentos. “Atualmente aqui fica como uma bacia, com pontos mais altos por todos os lados, sem local de vazão para a água da chuva”, diz.

 

PROMESSAS – Os moradores do bairro ironizam a periodicidade com que os políticos dão as caras no local. Segundo eles, vereadores e outras autoridades só aparecem em períodos de campanhas eleitorais. Seria o caso dos vereadores Chico Bezerra (PSB) e Claudio Miyake (PSDB). Este último usou a casa de Pergentino para fazer comício. Bezerra, por sua vez, prometeu lutar pela instalação de uma praça no bairro, mas jamais retornou ao bairro depois de eleito.

 

RESPOSTA DA PREFEITURA

Em nota, a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Secretaria de Serviços Urbanos, disse realizar trabalhos preventivos para evitar enchentes e alagamentos, além de mutirões de drenagem nas bocas de lobo, bocas de leão e galerias de águas pluviais. Inclusive, diz a nota, está previsto para a próxima semana trabalho de desobstrução no córrego do Gregório, em Braz Cubas. A prefeitura reconheceu que o bairro vitimado pela enchente é considerado uma área de alagamento “por uma série de características”, em especial a proximidade com o Rio Jundiaí, que necessita de trabalhos de desassoreamento. Este serviço, contudo, é feito pelo Governo do Estado. “A Secretaria de Serviços Urbanos já enviou equipes ao local para tomar as medidas necessárias, como desobstrução de galerias de águas pluviais, reparos no leito da via e também remoção do lixo, que foi irregularmente descartado no local”, diz a resposta oficial. Quanto à fiscalização do descarte irregular de lixo e entulho, a gestão disse contar com denúncias pelo telefone 153. Se flagrado, o autor do despejo pode receber multa que varia de R$ 3,2 mil (para lixo domiciliar) a 32,5 mil (lixo industrial ou hospitalar).




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