Desemprego atinge comércio de Mogi

Comércio Mogi vazio

Caged aponta que, entre janeiro e setembro de 2017, demissões superaram o número de contratações

 

Por Lailson Nascimento

 

Quando percebeu que sua loja de artigos femininos corria o risco de fechar as portas, a comerciante Neusa Corrêa não teve outra saída: despediu as duas funcionárias que a auxiliavam. O empreendimento, que funciona há oito anos na Rua Barão de Jaceguai, no Centro de Mogi das Cruzes, faz parte de uma estatística negativa que tem marcado o setor do comércio em 2017: o desemprego.

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – ligado ao Ministério do Trabalho -, aponta que entre janeiro e setembro deste ano houve mais demissões do que contratações no comércio da cidade. Segundo o portal, 5,9 mil pessoas ingressaram no mercado de trabalho, mas mais de 6 mil perderam o emprego no mesmo período – em números absolutos, houve um saldo negativo de 448 vagas.

Para Neusa, a queda na geração de empregos está relacionada à crise econômica que se arrasta desde 2015. “Você não vê ninguém admitindo, pelo contrário. Está todo mundo fechando as portas, não só o comércio do Centro, mas as outras regiões da cidade. Quando a crise aperta, você é obrigado a cortar custos. Há várias lojas apenas com os proprietários, ou seja, sem funcionários.”

Celma de Deus, presidente da Associação dos Lojistas do Mercado Municipal

Celma de Deus, presidente da Associação dos Lojistas do Mercado Municipal

A presidente da Associação dos Lojistas do Mercado Municipal, Celma de Deus, é mais dura. Na opinião dela, falta apoio da Prefeitura de Mogi das Cruzes e até da ACMC (Associação Comercial de Mogi das Cruzes). “Tanto o prefeito atual [Marcus Melo] quanto o ex-prefeito [Marco Bertaiolli] já foram presidentes da Associação Comercial. Por terem ocupado o posto, eles sabem como funciona o comércio. Mesmo assim, o discurso deles hoje é diferente de quando estavam à frente da associação. Agora, eles alegam que está tudo bem, mas só a gente sabe o quanto tem sido difícil.”

 

LIDERANÇAS – Recentemente, dirigentes da ACMC, do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Mogi e Região), vereadores e comerciantes se reuniram com o prefeito Marcus Melo (PSDB) para pedir alterações no estacionamento da região central. No entendimento de quem trabalha no Centro, a liberação parcial do estacionamento em ruas como a Coronel Souza Franco é fundamental para voltar a atrair os consumidores e, por consequência, alavancar o setor.
Depois da reunião, a administração municipal prometeu desenvolver estudo técnico que permita realizar as mudanças reivindicadas pelos comerciantes ainda neste ano.

 

 




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