Lutando contra o abandono, Sabaúna completa 390 anos

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Distrito conserva singularidades, mas sofre com negligência do poder público em diversas áreas. Fotos: Bruno Arib

 

Por Renan Xavier

 

Paisagens bucólicas, ruas silenciosas e uma tranquilidade que surpreende os acostumados aos ruidosos e agitados centros urbanos. Estes são alguns dos ingredientes que fazem do distrito de Sabaúna, com sua velha estação ferroviária, caminhos calçados de paralelepípedos e construções antigas, um retrato vivo de uma Mogi das Cruzes que ficou no passado.

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No entanto, os encantos do vilarejo contrastam com o abandono em que se encontra pela administração municipal. Com 390 anos completos neste domingo (26), Sabaúna sofre com a deterioração das ruas, rede de esgoto precária em alguns bairros e zeladoria urbana aos frangalhos, com calçadas em más condições e mato alto em diversos pontos. Além disso, há relatos de constantes atrasos das linhas de ônibus que atendem a região.

2É na Vila Matias, bairro mais populoso do distrito, que o principal problema da região é mais evidente. O local não dispõe de rede coletora de esgoto e todos os detritos são despejados em fossas – muitas delas construídas de forma inadequada. A prática provoca mal cheiro e atrai bichos.

Segundo a presidente da SAS (Sociedade dos Amigos de Sabaúna), Cleide Soares, moram cerca de 300 famílias nessas condições sanitárias degradantes. “A desculpa da prefeitura é de que o projeto para instalação da rede é muito caro, pois aqui é região montanhosa. Então na Suíça, que tem geografia semelhante, não tem coleta de esgoto?”, ironiza.

Sofrem os moradores de casas das ruas Elza Mathias e Antônio Pinto Rodrigues, onde há valetas a céu aberto praticamente em seus quintais. No local coberto pelo mato alto a reportagem flagrou tubulações que, segundo moradores, seriam usadas pelo Semae (Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto) para canalizar as fossas, mas terminaram abandonadas há cerca de um ano e meio.
Em março, a prefeitura anunciou o investimento de R$ 3 milhões na instalação de uma Estação de Tratamento e três estações de bombeamento em Sabaúna, mas todas na Vila Andrade. Para a Vila Matias, nada.

“A coleta de esgoto é uma questão de saúde pública, mas os moradores daquele bairro são negligenciados há muitos anos”, avalia Cleide.

 

DEMANDAS – A Avenida Romilda Peccorari Nor, conhecida como Estrada Velha de Sabaúna, que liga o distrito a César de Souza, é alvo de queixas há anos, sem que jamais as administrações mogianas resolvessem o problema. A buraqueira e até deslizamentos em épocas de chuva deixam os motoristas que transitam pela via revoltados e com medo de acidentes.

Outra reclamação constante dos moradores é quanto ao desleixo na zeladoria e manutenção do distrito. Há diversas calçadas em mau estado, com desníveis e rachaduras. No entorno da Estação Ferroviária, no Centro, o mato cresce alto e contamina o ambiente com um ar de abandono.

Conhecido por ser um distrito dormitório, o serviço de transporte coletivo é fundamental em Sabaúna. No entanto, segundo a presidente do SAS, estudantes e pessoas que trabalham em outras regiões reclamam de constantes atrasos dos ônibus que operam as linhas locais.

 

RESPOSTA DA PREFEITURA – Por meio de nota, o Semae (Serviço Municipal de Águas e Esgotos) informou que o distrito de Sabaúna está entre os futuros beneficiários de R$ 6 milhões (entre verbas federais e municipais) em investimentos na elaboração de projetos executivos para implantação de sistemas de esgotamento sanitário em núcleos isolados e dispersos da malha urbana (abrange outros quatro distritos). A resposta fala de prazos, nem cita especificamente a Vila Matias.

Sobre a roçada e limpeza pública, a gestão Marcus Melo disse manter rotina diária de trabalhos desta natureza no distrito. Como exemplo, citou ações de zeladoria na semana de aniversário do distrito. “A demanda pontual referente às margens da linha férrea foi encaminhada para a Administração Regional, que vai inserir”, disse ainda a nota.

Sobre os ônibus, a Secretaria de Transportes negou atrasos nos últimos dias.

Quanto à Estrada Velha, a gestão reconheceu as más condições da via e disse que não há previsão de reformas no local, por falta de verba, mas que reparos pontuais são feitos. Ressaltou ainda que a estrada tem pouco tráfego.

 




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