Mogi aplica 400 multas por dia

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No primeiro semestre, município já registrou 71,7 mil autuações por infrações de trânsito. Motoristas acusam uma “indústria da multa” para aumentar arrecadação. Foto: Renan Xavier

 

Por Renan Xavier

 

Nos primeiros seis meses do ano, foram registradas em Mogi das Cruzes cerca de 400 multas por dia por infrações de trânsito, de acordo com informações da STM (Secretaria Municipal de Transportes). No total, foram 71,7 mil autuações no período. Números que assustam – e doem no bolso do motorista mogiano.

Em meio à marcação cerrada dos radares, condutores passaram a denunciar uma “indústria da multa” promovida pela administração municipal.

A polêmica ganhou um novo capítulo na semana retrasada, com o início de operação de um novo ponto móvel de fiscalização eletrônica na Avenida Francisco Ribeiro Nogueira, nas proximidades do Jardim Primavera.

Nas redes sociais, uma maioria de internautas demonstrou-se indignada com a suposta estratégia da gestão Marcus Melo (PSDB) para aumentar a arrecadação municipal.

Revoltado, um internauta chegou a publicar vídeo em que filma o aparelho móvel em operação, próximo à Mogi-Bertioga, além da placa e veículo em que estavam os operadores da empresa responsável pelo serviço de monitoramento, a Politran.

Assinado ainda no governo do ex-prefeito Marco Bertaiolli (PSD), o atual contrato com a Politran  Tecnologia custou mais de R$ 5,3 milhões ao município e vem sendo renovado por meio de aditivos pela gestão atual.

A empresa conta com um único radar móvel, que opera em nove diferentes pontos da cidade (ver lista ao lado) e é operado por quatro funcionários, que também fazem a segurança do equipamento.

 

RECUO – Se comparado ao mesmo período do ano passado, contudo, houve redução de 8,5% nas infrações registradas, uma vez que foram aplicadas 77,7 mil multas no primeiro semestre de 2016.

 

“Fábrica de dinheiro”, acusam motoristas sobre radar móvel

Pivô da nova polêmica, choveram críticas sobre o prefeito Marcus Melo (PSDB), acusado de promover uma “indústria da multa” para incrementar a arrecadação municipal.

Na opinião de muitos motoristas, os radares móveis são uma forma de angariar mais recursos à prefeitura às custas dos motoristas, que seriam vítimas de uma espécie de “pegadinha”.

Quem pensa assim é o administrador de empresas Daniel Moura, de 42 anos. Para ele, o uso de radares móveis nada mais é que uma “fábrica de dinheiro”. Os benefícios para a cidade, diz ele, são nulos. “Se é para resolver o problema, basta implantar lombadas ou radares fixos. O radar móvel é só para a prefeitura arrecadar em multas, não é educativo”, sugere.

Geralmente posicionado em uma curva no novo ponto de fiscaliação da Avenida Francisco Ribeiro Nogueira, o radar móvel deveria ser mais visível, segundo entrevistados.

“Não acredito que tenha sido o melhor lugar, pois está na curva [o radar], isso pode gerar um susto no motorista e acabar ocasionando mais acidentes”, opinou a mogiana Karime Ortiz. Ela, contudo, ressaltou que o local de fato é perigoso e precisava de um reforço na fiscalização.

Há ainda quem poupe críticas ao equipamento de fiscalização, reforçando que mais responsabilidade ao volante pode evitar autuações.

“Não querem ser multados? Então onde tiver uma placa de 50 km/h, ande até 50 km/h (…). É infalível, experimentem”, ironizou um internauta.

 

DEPOIMENTO – Funcionário da Politran, que prefere não se identificar

Enquanto a arrecadação com multas cresce de forma acelerada, a qualidade do asfalto das ruas mogianas vive um momento de queda livre, com vias em condições precárias – o que tem causado a fúria dos motoristas que se deparam com as “crateras” diariamente.

Em 2016, último ano de gestão do ex-prefeito Marco Bertaiolli (PSD), a arrecadação com autuações de trânsito quase dobrou em relação ao ano anterior: subiu de R$ 5,9 milhões, em 2015, para R$ 10,5 milhões.

No entanto, quem acha que a grana deve ser utilizada para amenizar a precariedade das ruas, ficaria frustrado com a destinação dos recursos.

A maior parte do dinheiro arrecadado com infrações, de acordo com informações da SMT (Secretaria Municipal de Transportes) foi revertida para a própria fiscalização: R$ 4,3 milhões. Em seguida, sinalização (R$ 3,3 milhões) e policiamento (R$ 2,7 milhões) ficaram com as fatias mais gordas dos repasses, que totalizaram R$ 11,6 milhões em 2016.

 

RESPOSTA DA PREFEITURA – Sobre a instalação de um radar de fiscalização móvel na Avenida Prefeito Francisco Ribeiro Nogueira, a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Coordenadoria de Comunicação, informou que “a definição deste local como ponto para implantação de fiscalização eletrônica busca a melhoria da segurança viária. Entre os pontos levantados está a movimentação de veículos e pedestres, as características da via e o risco de acidentes. Neste ano, foram registrados dois acidentes com morte neste trecho. Um em março, com a morte de um pedestre, e um em maio, que vitimou um condutor de motocicleta. A medida também atende a solicitações dos moradores da região”. A nota destacou ainda que o radar móvel realiza a fiscalização nos pontos de forma alternada.

 

Arrecadação dobra, mas ruas seguem esburacadas

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Enquanto a arrecadação com multas cresce de forma acelerada, a qualidade do asfalto das ruas mogianas vive um momento de queda livre, com vias em condições precárias – o que tem causado a fúria dos motoristas que se deparam com as “crateras” diariamente.

Em 2016, último ano de gestão do ex-prefeito Marco Bertaiolli (PSD), a arrecadação com autuações de trânsito quase dobrou em relação ao ano anterior: subiu de R$ 5,9 milhões, em 2015, para R$ 10,5 milhões.

No entanto, quem acha que a grana deve ser utilizada para amenizar a precariedade das ruas, ficaria frustrado com a destinação dos recursos.

A maior parte do dinheiro arrecadado com infrações, de acordo com informações da SMT (Secretaria Municipal de Transportes) foi revertida para a própria fiscalização: R$ 4,3 milhões. Em seguida, sinalização (R$ 3,3 milhões) e policiamento (R$ 2,7 milhões) ficaram com as fatias mais gordas dos repasses, que totalizaram R$ 11,6 milhões em 2016.

 

CONTRAMÃO – Na semana retrasada, a prefeitura de São Paulo deu um passo que inverte a lógica mogiana, priorizando operações tapa-buraco na distribuições do dinheiro das multas.

O vice-prefeito e secretário das prefeituras regionais da capital paulista, Bruno Covas, anunciou, no último dia 13, uma verba de R$ 10 milhões do FMDT (Fundo Municipal de Desenvolvimento de Trânsito) para tapar buracos das ruas da capital. Os reparos devem ser feitos em agosto.




One thought on “Mogi aplica 400 multas por dia

  1. Antonio Cordeiro

    Em resposta da prefeitura alega-se busca da melhoria da segurança viária, hora bolas se realmente fosse este o intuito e não o de fabricar multas e arrecadação instalaria-se em caráter de urgência lombadas e radares “FIXOS” no local informando previamente e não da forma que foi realizada, onde não haviam até então placas regulamentando a velocidade em 50 km/h de um dia para outro apareceram as placas e junto o radar móvel escondido, os motoristas que passam no local diariamente foram surpreendidos num dia passam a 60 km/h e no outro estabeleceu-se sem aviso prévio que seria 50 km/h e radar? 60 km/h convenhamos quem conhece sabe que é uma velocidade adequada para a via, sejamos honestos radar móvel não é e nunca será medida educativa ou preventiva.
    Se realmente a prefeitura tivesse boas intenções e respeitasse os munícipes que moram na localidade e os que transitam na via todos os dias previamente informaria por faixas as mudanças que ocorreriam e não no estilo pegadinha.
    Certamente não houve um estudo técnico detalhado de qual velocidade estabelecer para a via naquele local, algo que os munícipes que se sentirem lesados devem documentar o máximo possível e em conjunto solicitar, buscar através do ministério público uma avaliação, investigação tanto da velocidade estabelecida quanto a forma que se foi implementada a fiscalização e regulamentação.

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