Setembro Amarelo: valorizaçãoda vida e prevenção do suicídio

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Leonardo Maranhão, 42, é psiquiatra e diretor da Clínica Médica Assis. Foto: Divulgação

 

Por Leonardo Maranhão
Embora pouco se fale sobre o suicídio, ele é bem mais comum do que se imagina. Para se ter uma ideia, uma pessoa põe fim à própria vida a cada 40 segundos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao todo, são cerca de 800 mil mortes por ano no mundo; 75% delas registradas em países pobres e emergentes. No Brasil, a situação é alarmante. Todos os dias, 28 brasileiros se suicidam e, para cada morte, há entre 10 e 20 tentativas. Essa atitude, que para muitos pode parecer ilógica, é, na verdade, um problema de saúde que necessita de atenção, de articulação social que vá além do “precisamos falar sobre o suicídio”.

Além das questões emocionais, sociais ou financeiras, que também surgem como fatores significativos quando o indivíduo está propenso a se matar, alguns transtornos mentais, se não tratados adequadamente com acompanhamento médico e terapêutico, podem levar a crises de final incerto. Os casos mais comuns envolvem depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar. Alcoolismo e abuso de drogas também são frequentes e engrossam as estatísticas.

Quando uma pessoa com intenção suicida procura ajuda médica (na maioria das vezes por intermédio da família), ela chega ao consultório angustiada e bastante confusa. Possui sintomas depressivos e fala abertamente em colocar um ponto final a isso tudo, como se a resolução ao problema fosse simplesmente o fim.

Diferentemente do que muitos imaginam, ela não tem o objetivo de se despedir, de testar o médico ou até mesmo de conseguir atenção e carinho. Ao contrário, ela quer se ver livre da sensação “sufocante” e, por isso, pede ajuda, auxílio e proteção ao especialista.

Falar de suicídio é difícil em função do preconceito, do tabu que permanece enraizado, não só no Brasil, mas em diversos países.

Com o aproximar do “setembro amarelo”, que marca a busca pela valorização da vida e a prevenção do suicídio, é fundamental que comecemos a pensar em estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação e de proteção (e de recuperação) da saúde.

O suicídio pode ser prevenido e a sociedade precisa estar ciente disso. Mais do que ciente, mobilizada e madura para debater e agir na prevenção dele.




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