Único motorista do Uber em Guararema relata rotina ameaças e perseguições de taxistas

Bruno Arib Foto

Condutores de táxi, por sua vez, acusam uberista de atuação clandestina e de fazer corridas ‘por fora’ do aplicativo. Ambos os lados cobram regulamentação. Foto: Bruno Arib

 

Por Renan Xavier

 

Há pouco mais de um mês, as pacatas ruas do município de Guararema são palco de uma guerra velada. Guerra por passageiros. O pivô do impasse se chama Adilson dos Santos Junior, de 28 anos, único motorista credenciado do aplicativo de viagens Uber que atende regularmente na cidade, até o momento. Ao volante de um Fiat Uno, ele tem garantido uma renda média de R$ 3.200 mensais, valor suficiente para pagar o aluguel e demais contas. Mas, para isso, tem enfrentado a ira de seus concorrentes diretos: os taxistas.

Adilson relata que já foi alvo de diversas denúncias na prefeitura, e até na polícia. Foi acusado, injustamente, desde transporte clandestino a tráfico de drogas. Relata ainda que é comum ser filmado por taxistas enquanto trabalha, receber trotes e que, na primeira semana como uberista, durante uma corrida, foi perseguido por um táxi que ameaçava bater na traseira de seu carro.

“Só não anotei a placa do veículo porque estava com uma cliente, que já era senhora e estava preocupada. Eu tinha que passar uma segurança, não queria desesperá-la”, relembrou Adilson, que agora deixou de rodar até as 23h, não passando das 21h por uma questão de segurança.

Todo o sufoco, segundo ele, ocorre porque os preços que cobra pelo serviço são muito inferiores aos praticados pelos rivais. Ele exemplifica que uma viagem do supermercado Monteiro, no Centro, até o bairro do Nogueira custa R$ 15 de táxi e R$ 8 pelo Uber, quase a metade do preço. Em sua corrida mais extensa, para Pardinho, na região de Sorocaba, a mais de 350 quilômetros, ele cobrou R$ 422 para o cliente. Segundo ele, um taxista havia pedido R$ 1.100 para fazer o mesmo trajeto.

“Eles me acusam de concorrência desleal, mas eu acho que desleal é cobrar um preço absurdo para andar alguns metros, viagem que não dura nem seis minutos”, criticou o uberista.

 

REGULAMENTAÇÃO – Adilson é autor de uma petição na internet que pretende reunir três mil assinaturas pela regulamentação do serviço de aplicativo. Até o momento, a petição reuniu cerca de 700 assinaturas.

Na sessão legislativa do dia 20 de junho, da Câmara de Guararema, o vereador Antonio Carlos Borges (PTC) fez uma indicação pela regulamentação do serviço de Uber no município,  com o apoio dos também vereadores Gilson Moreira (PTC) e José Francisco de Beraldo Junior (PTdoB), o Junior da Casa de Ração.

 

OUTRO LADO – Ironicamente, um dos rivais do uberista Adilson dos Santos também se chama Adilson. E também é dos Santos. Com anos de praça, o taxista acusa deslealdade na concorrência pelos passageiros. Segundo ele, o motorista particular sequer trabalha pelo Uber, pois na prática faz viagens “por fora” do aplicativo e divulga seu celular em cartões de visita, o que não deveria ocorrer, segundo ele.

“É um trabalho na clandestinidade. Nós, taxistas, temos que fazer exame médico, apresentar antecedentes criminais, pagar R$ 550 para adesivar o carro, pagamos impostos para a prefeitura. Ele não tem esses encargos”, queixou-se.

Contudo, o Adilson taxista reconhece a disparidade de preços e lamenta a queda da clientela. “Não tem como disputar. Enquanto ele cobra R$ 100 até o Aeroporto Internacional de São Paulo, os taxistas cobram R$ 200”, comparou.

 

UBER – Em nota, a assessoria de imprensa do Uber disse que existe um fluxo muito alto de usuários que transitam de São José dos Campos para outras cidades da região, como Guararema. “Por isso, os motoristas parceiros que vão para outras cidades deixar algum passageiro podem vir a receber pedidos de viagens de usuários locais, embora a Uber não opere de fato nestas cidades”, esclarece a empresa.




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