Violência: Pais articulam manifestação contra diretora acusada de agredir aluno

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Caso chocou a cidade de Salesópolis e a população quer punição severa à agressora; a criança é autista. Foto: Bruno Arib

 

Por Aristides Barros  

 

Uma manifestação prevista para acontecer na tarde desta sexta-feira (24) nas ruas centrais de Salesópolis visa uma posição firme a um caso de agressão sofrido por um menino de nove anos. A criança, que é autista, teria sido agredida pela diretora da própria escola onde estuda (EMEF Professora Sônia Maria da Fonseca). O ato, além de pretender a punição da agressora, evidencia a preocupação dos pais com as escolas onde seus filhos estudam, e que situações de violência como a denunciada não voltem a acontecer.

O caso ocorrido no dia 3 de junho foi denunciado à polícia pela mãe do menino – a comerciante Katia Aparecida Miranda, 33, anos. Na delegacia a ocorrência foi registrada como maus tratos. Contudo, a denúncia chegou ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e logo depois ao Fórum da cidade, onde foi arquivada. O trâmite rápido na Justiça gerou questionamento dos pais do estudante, que agora querem levar o caso ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Integrante do Conselho Tutelar de Salesópolis, Raí Saylon de Paula Ribeiro disse nesta terça-feira (23) ao repórter da GAZETA que o órgão vai “montar” um processo e encaminhá-lo novamente ao MP, e também ao CMDCA (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente). Ribeiro disse que o Conselho Tutelar não havia se manifestado sobre o assunto porque só tomou conhecimento do caso no início da semana passada.

A mãe do estudante também ficou decepcionada com a atitude da prefeitura. A administração municipal instaurou uma sindicância para apurar o caso, mas o trabalho não produziu o efeito esperado. Ela se sentiu prejudicada pela prefeitura, MP e pela Justiça. “Quero a punição da diretora, o que ela fez é gravíssimo”, condena a mãe. “O nosso filho sofreu maus tratos num local onde teria de estar protegido e seguro. O que queremos é justiça”, completa o pai, Odair José de Siqueira, 42 anos.

 

AGRESSÃO – A ocorrência datada de 3 de junho foi durante a realização da festa na escola. Por não receber atenção do menino quando pediu para que ele se sentasse, a diretora partiu furiosa contra ele e usando de força o obrigou a sentar. O que se seguiu foram horas de tensão, com todos que presenciaram o episódio ficando indignados com o gesto violento sofrido pelo menino, que é autista.

Ao saber da agressão contra o filho, Katia fez a denúncia na polícia. Ela aguardava uma resposta positiva das autoridades (prefeitura, MP e Fórum), o que não ocorreu. A manifestação marcada para esta sexta-feira (24) deve cobrar uma nova postura para o caso.

A diretora também é acusada, em 2015, de praticar bullyng contra o mesmo menino vítima da agressão e de prática de racismo contra outras crianças da escola.

A reportagem tentou falar com a diretora da unidade escolar para que ela desse a sua versão sobre os fatos. Foram vários contatos telefônicos com a escola onde ela trabalha e, em todos eles, funcionários diziam que a dirigente de ensino não estava no local.

 

 




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